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CBM/AL 2026 — Oficial de Estado-Maior
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Língua PortuguesaCompreensão e Interpretação de TextosAspectos Linguisticosmediacerto ou errado· Prova CEBRASPE 2018 — PMAL Soldado
Texto da questão
Texto 1A1-I:
Dói. Dói muito. Dói pelo corpo inteiro. Principia nas
unhas, passa pelos cabelos, contagia os ossos, penaliza a
memória e se estende pela altura da pele. Nada fica sem dor.
Também os olhos, que só armazenam as imagens do que já
fora, doem. A dor vem de afastadas distâncias, sepultados
tempos, inconvenientes lugares, inseguros futuros. Não se
chora pelo amanhã. Só se salga a carne morta.
No princípio, se um de nós caía, a dor doía ligeiro.
Um beijo seu curava a cabeça batida na terra, o dedo
espremido na dobradiça da porta, o pé tropeçado no degrau da
escada, o braço torcido no galho da árvore. Seu beijo de mãe
era um santo remédio. Ao machucar, pedia-se: mãe, beija aqui!
Há que experimentar o prazer para, só depois, bem
suportar a dor. Vim ao mundo molhado pelo desenlace. A dor
do parto é também de quem nasce. Todo parto decreta um
pesaroso abandono. Nascer é afastar-se — em lágrimas — do
paraíso, é condenar-se à liberdade. Houve, e só depois, o tempo
da alegria ao enxergar o mundo como o mais absoluto e
sucessivo milagre: fogo, terra, água, ar e o impiedoso tempo.
Sem a mãe, a casa veio a ser um lugar provisório.
Uma estação com indecifrável plataforma, onde espreitávamos
um cargueiro para ignorado destino. Não se desata com
delicadeza o nó que nos amarra à mãe. Impossível adivinhar,
ao certo, a direção do nosso bilhete de partida. Sem poder
recuar, os trilhos corriam exatos diante de nossos corações
imprecisos. Os cômodos sombrios da casa — antes
bem-aventurança primavera — abrigavam passageiros sem
linha do horizonte. Se fora o lugar da mãe, hoje ventilava
obstinado exílio.
Bartolomeu Campos de Queirós. Vermelho amargo.
São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 5 (com adaptações).